
A vida vale a pena
Há oito anos vivenciamos uma parceria pública-privada,
na qual a nossa reclusão empresarial é voluntária, para desenvolver
um projeto social centrado na energia em questões que estão a ir
de encontro ás preocupações sociais. Mas juntos, podemos criar
o novo, transformando o velho modelo prisional em hospitais sociais.
Reciclar, reciclando. Nós acreditamos ser esta a chave das cadeias
desta vida.
Apostamos na regeneração. Só começamos a sentir,
pensar e agir, a partir de um lugar diferente e então começamos
a fazer escolhas diferentes. Estamos fazendo a vida valer a pena;
libertando e transformando pessoas, potencializando-as para criar
e para participar de modo que possam produzir maneiras equilibradas
de viver, como criaturas, integrando-as num lugar chamado Aldeia
Humana, com o desenvolvimento de uma nova perspectiva contra a
reincidência.
Estabelecer a esperança a partir das velhas perspectivas
não os conduzirá a uma nova vida. O ponto crítico desta ação é como
começar a evoluir para uma nova postura. Como começar a enxergar
o mundo criminal de uma nova maneira, com novos olhos, porque é somente
deste modo que poderemos começar a ter esperança. Postura que certamente
mudará e transformará o futuro para os apenados(a prova do nosso
fracasso social), porque este futuro é certamente um projeto social.
Temos que olhar para novas possibilidades. Esta é a
capacidade de reciclar. É também verdade que algum desses apenados
estão aquém da esperança e são um perigo para a sociedade, casos
patológicos que devem receber tratamento de outras áreas enquanto
encarcerados.
O trabalho começa na escuridão deste resíduo social.
Estamos a procura da vida. Da escuridão para a luz, transformando
o Presídio Masculino de Florianópolis num satélite da vida.
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"Investimos
na reintegração social e profissional dos
apenados. Não questionamos os crimes, como não
lemos cada pedaço de papel que reciclamos. Apostamos
em uma nova perspectiva contra a reincidência, com
homens transformando papéis e o papel criando um
novo homem, capaz de produzir maneiras equilibradas de
viver." (Zuleica Medeiros) |
Legado:
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Aos que virão depois
de nós. |
"Vocês, que vão
emergir das ondas em que nós perecemos, pensem,
quando falarem das nossas fraquezas, nos tempos sem
sol de que vocês tiveram a sorte de escapar.
Nós sabemos: o ódio contra a baixeza também
endurece os rostos; a cólera contra a injustiça faz
a voz ficar rouca. Infelizmente, nós, que queríamos
preparar o terreno para a amizade, não pudemos ser, nós
mesmos, bons amigos. Mas vocês, quando chegar o tempo em
que o homem seja amigo do homem, pensem em nós com um pouco
de compreensão."
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