história do papel
 



Pioneirismo na Universidade de Brasília – UnB

Com a falta de tradição, a cultura do papel artesanal no Brasil só foi retomada por volta da década de 1980 com as pesquisas da professora Zuleica Medeiros na Universidade de Brasília - UnB, que incluíam:
O papel suporte para a educação artística, a reciclagem para a educação ambiental e a atividade de extensão para geração do trabalho e renda, junto aos núcleos sociais do Distrito Federal.

O primeiro núcleo de produção foi implantado para os “meninos de rua” da Cidade Satélite de Ceilândia após, para os artesãos e idosos do Núcleo Bandeirante. Um convênio entre a UnB e a Fundação Educacional do Distrito Federal, permitiu o repasse tecnológico da construção dos materiais, para os professores da rede e em conseqüência foram constituídos noventa laboratórios de pesquisa e produção de papéis, tintas, pincéis e outros materiais junto às escolas e para os alunos da Fundação.
Com a apresentação dos resultados das pesquisas dos materiais em congressos nacionais e internacionais, foram ministrados cursos objetivando o fomento de núcleos de pesquisa dos materiais em vários estados brasileiros. Em 1989 aconteceu a transferência Florianópolis – SC onde nasceram as atividades eco-empreendedoras com o objetivo da formação da cultura do papel feito à mão no Brasil. Ainda na UnB implantou o LEME – Laboratório de Materiais Expressivos, atuante até hoje com a coordenação da professora Thérèse Hofmann Gatti.

Simultaneamente Marlene Trindade, em Minas Gerais, iniciou suas pesquisas do papel como linguagem, no Atelier das Artes da Fibra, na UFMG, divulgando os resultados do papel artesanal como forma de expressão artística nos Festivais de Inverno de Diamantina e Ouro Preto.

No mesmo tempo Otávio Roth retornando da Inglaterra em 1979, implantou em São Paulo a 1ª oficina de handmade onde iniciou suas pesquisas com a interpretação criativa da fabricação como nova forma de expressão visual.

“Quando o papel deixa de ser suporte para ser arte já por si próprio”. Otávio Roth – A busca genealógica do Papel.

“Ironicamente, o Brasil começa a conhecer o melhor do papel artesanal em plena era do computador, testemunhando a sua importância como suporte ainda insubstituível nas artes plásticas, ou como fonte inesgotável de criação artística”. Otávio Roth – 1984

Nos anos finais do século XX, num mundo cada vez mais sofisticado do ponto de vista tecnológico, surgiu simultaneamente por três profissionais e em três diferentes estados do Brasil (Distrito Federal, Minas Gerais e São Paulo) o interesse pela atividade milenar. Por volta de 2000 anos após, o papel artesanal, feito à mão, handmade paper renasceu como uma reação política, cultural e ecológica.

Distantes da tradição oriental, sem o rigor técnico dos ocidentais, Marlene Trindade, Otávio Roth e Zuleica Medeiros percorreram novos e diferentes caminhos.

Nossa flora abundante de matérias-primas para a confecção de papel estimulou a intuição à pesquisa, já iniciada em 1765 pelo botânico austríaco Jacolo Schaffer, quando então já citava a viabilidade técnica de fabricação de papel com mais de 600 espécies de plantas.
Hoje, em 2005, após mais de 20 anos já podemos dizer que o papel feito à mão cumpriu o seu papel no Brasil:

• Ambiental – a ecologia como variável central do papel e os produtos reciclados como símbolos da preservação da natureza.
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• Social – com a necessidade de “muitos braços” para a produção, foi inserido como fonte de renda para inúmeros grupos sociais no Brasil;
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• Cultural – o rústico, o natural, passaram a ser considerados como sofisticação e o consumo desse “passaporte verde”, um ato político.

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